sábado, 9 de setembro de 2017

Obsolescência programada

o facto de lhe venderem um produto xpto, programado para avariar ou desactualizar e você ter de comprar outro, um estímulo às vendas associado ao marketing. Não é um exclusivo dos produtos, os empresários do sistema fazem-no com políticos. Alguns são as duas coisas, o político alimenta o empresário. Estes ficam com o lucro, os políticos com um pé-de-meia e o eleitor com o ónus. Vão embrulhados num upgrade de discurso e você vota fidelizado à “marca”. Confirma que existe isto na Madeira?

Trump tinha como programa eleitoral dizer mal dos seus adversários, com ideias e análises pueris, compromissos inexequíveis e capacidade para entreter os média com escandaleira. Trump, errante, colocou os focos da suspeição em Hilary e, com uma campanha suja tornou-a pior do que ele. As acusações foram graves mas sem consequência. Repetiu um autoelogio doentio e mimava os eleitores, os maiores do mundo dentro do muro mental. Tinha um ódio doentio à comunicação social acusando-a de tendenciosa. Ganhou o poder e neste trecho de mandato já se viu que os média tinham razão. A milionária campanha, com dinheiro seu e de outros empresários necessitados, alcançou uma conjuntura favorável, “desassinaram” o Acordo de Paris e pouco se importam se caem trombas de água pois vendem para a reconstrução. Trump usou pessoas necessitadas e menos esclarecidas para encher salas, ganhando um apoio vibrante nos discursos de sangue para uma justiça parola. Os estrategas das outras campanhas julgaram que o eleitorado distinguia o trigo do joio mas escolheu joio porque não tinha acesso à mesma informação, os fracos sucumbiram à ilusão. O entretainer ganhou, o mundo levou mãos à cabeça pela adição de mais um louco na ementa mundial. O planeta ficou pior e explosivo, a América absurda com americanos contra americanos. Trump continua a dividir para reinar, para si e os seus apoiantes magnatas que fazem rodar muitos no seu gabinete assim que desalinham. Das asneiras não materializáveis proferidas em campanha já ninguém se lembra, foram uma obsolescência programada para um poder duradouro. Parece-lhe familiar a estratégia de Trump, a efervescência populista que deixa todos a brigar sem vermos programas eleitorais?

A política anda a abusar do sonho madeirense como Trump do sonho americano. Curioso que até temos uma saúde pública que promove a necessidade das clínicas privadas, estão a abolir o Obamacare madeirense? O Diário de Notícias é tendencioso com 19 opinadores mensais do PSD, no entanto, o Cafôfo não diz “Libertem o DN” nem toca no ruinoso negócio onde o GR quer absorver muitos dos funcionários do JM para justificar o tacho de um candidato.



Os mentores do Trumpismo regional usam e alimentam o ego das gerações oriundas da birra na montra (a quem se deu liberdade e confundiram com libertinagem e desrespeito), da disputa das marcas para ser alguém nas tribos e nos gangs, a geração do nariz empinado, de ausência de sim senhor(a) e não senhor(a), as de convívio imperturbável no passeio que te lançam para a estrada, as de um quarto de palavra do SMS e das redes sociais que são assessores sem dominar o português. Seguem exemplos de sucesso de alguns canalhas com obsolescência programada. Kim Jong-un, o provocador dos mísseis, não será da mesma estirpe dos publicadores de cartoons do PSD? A vontade de destruir por glória sem mérito é clara. Serenem, o achamento não é o Big Bang nem fiquem horrorizados por este momento sem tabus, sei que a massa é polvilhada por raridades que são esperança e orgulho. Outras gerações precederam, a do flower power, do hambúrguer, a rasca e sobreviveram aos epítetos necessários ao crescimento intelectual e humano. Não sou psicólogo para arranjar doenças que disfarcem as insuficiências da educação em casa e da formação no partido. Que esperar da geração do ruído em loop e das estrelas cavernícolas que ficam horrorizados com música clássica, qual Água Benta a cair no Diabo, esse tão esperado para dar futuro? Parece que compareceu na árvore do Monte em momento religioso, uma alegria para quem só vê e aspira uma viragem política pouco se importando com a dor. Escusam de ser hipócritas, vimos 3 secretários a rir numa Missa de 7º dia. Há demasiados acicatados pelos mentores abjectos das Universidades de Verão que programam obsolescência. O sucesso fácil, sem valores que joga em todos os tabuleiros. Se tudo isto existe na Madeira, enfrentaremos os mesmos resultados de outros sítios!

Onde anda o apoio das grandes figuras que estiveram na génese da Renovação? Não fazem campanha? Têm vergonha dela tão suja? Dão mau nome? Escudam-se de um desaire eleitoral? Jogam em todos os tabuleiros? Não conquistam votos mas têm estatuto e estimam o poder? Não há marketing que resolva esta obsolescência que falha na qualidade política e humana. Os candidatos autárquicos provêm de um governo desacreditado que traz a ameaça com pedras soltas depois dos açudes na Ribeira de São João, o que vendeu produtos tóxicos do Banif, a que colaborou em 100 milhões levados pelo mar que quase paga duas vezes toda a dívida da CMF. O 7º Desejo, o blockbuster da lista cinematográfica, é um sofrível filme (Wish Upon) deste Verão. Uma caixa de música concede desejos de popularidade que resultam em tragédias pelo uso abusivo das redes sociais. As mortes vão sucedendo e condenando a futilidade do jovem americano. É-lhe familiar?

Depois das palavras fortes das últimas regionais estamos nisto, o povo imunizou-se. Depois de destratar tanta gente, as pessoas estão em alerta com os carinhos. Depois de uma mão cheia de nada, esperneia-se na recta final para mostrar serviço, o povo está descrente. O maldizer que o PSD Madeira trouxe para as autárquicas é prenúncio do que vai suceder, em breve, no seu interior em hora de desafiar a liderança. Quem agora ri com a promoção da política suja que aguarde pela bolina das internas, receberá o que ensinaram aos mancebos. Quando chegar a racionalidade perceberão que destruíram uma escola política, trocando-a por uma insustentável falta de mérito que semeia na sociedade ódios insanáveis. É a falta de qualidade dos líderes. O PSD Madeira deixou de ser charneira e líder de desígnios, projectos, causas e valores, assaltado pela mediocridade e desfocado do povo. Aguardemos para ver o que significa a moderação e o silêncio, um acto de inteligência.

Leia p. f. este artigo de Pacheco Pereira. É-lhe familiar? http://www.sabado.pt/opiniao/detalhe/um-partido-sitiado



Diário de Notícias do Funchal
Data: 09-09-2017
Página: 27
Link: Obsolescência programada
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa:

sábado, 2 de setembro de 2017

Debate em monólogo



20 de Fevereiro foi a derradeira machadada na resistência de muitos empresários que agonizavam na crise do comércio local depois da profusão de Centros Comerciais, Lojas Chinesas e falta de poder de compra mas, na Primavera seguinte, quase um ano antes do pedido de resgate de Portugal no governo de José Sócrates, novos contratempos surgiram. Os empresários começaram a experimentar situações incompreensíveis com a banca e com os seguros de crédito que garantiam os pagamentos aos seus fornecedores. Viram os seus seguros de crédito reduzidos ou anulados e os bancos a solicitar a calendarização do abate das contas correntes caucionadas, extinguindo-se instrumentos de gestão na pior altura. Apesar de algum movimento no mercado promovido pela “reconstrução” paga pelos seguros (Lei de Meios só para “lobos”), no final de 2010 a situação era ingovernável e de desconfiança. Na política nacional sucediam-se os PECs que, quando aprovados, já estavam aquém das necessidades do país. Bancos e companhias de seguro, depois de lucrar com a dívida nacional, fogem à exposição da catástrofe por posse de informação privilegiada, acelerando a queda do país, das empresas e seus empresários, dos trabalhadores/ contribuintes que depois viriam a ser chamados para os salvar. Irónico.

2010 teve o défice mais alto de sempre nas contas públicas, um saldo negativo de 11,2% do PIB. Na Primavera de 2011, dá-se a falência do país e na Madeira surge uma nova surpresa. Também entra em insolvência com uma dívida escondida. Os empresários da Madeira começam a perceber o motivo dos prazos de pagamento serem incomportavelmente dilatados na Região. O Governo Regional (GR) e muitas câmaras incrementam, por eleitoralismo, o efeito de contágio aos players comuns do mercado. Os custos fixos inadiáveis determinam a austeridade, as empresas começam a cortar, o flagelo do desemprego agudiza e o Funchal é cada vez mais dominado por aquele cheiro do 20 de Fevereiro e por montras “decoradas” com papel de jornal. Assistimos a casos impensáveis, ainda assim, todo esse tempo agudo foi vivido com resiliência e paz social. Contudo, repararam os bens materiais mas muitas vidas ainda penam em silêncio. Apresentar obra é também um acto responsável para com os outros. Muitos empresários que outrora fizeram uma cidade aprazível pelo comércio “jazem” ignorados por um poder avesso a reconhecer a catástrofe que provocou. São marginalizados por não terem fugido às responsabilidades como os que gozaram do privilégio da informação antes do tempo ou de unilateralmente decidirem em seu benefício. Não tiveram direito a subsídio de desemprego apesar de descontarem, não tiveram dignidade no mais básico, foram ofendidos e enxovalhados pelo fisco ou pelos agentes de execução, alguns em conluio para realizar vendas aos privilegiados de sempre, tornando-os “grandes latifundiários urbanos”. Vencem os que nunca arriscam, sustentados pelo erário público.



A reabilitação do Funchal depende da economia, livre e ponderada que assegure o sucesso ao maior número de empresários para criar diversidade de áreas numa cidade que corresponda às necessidades dos cidadãos e lhes fixe residência. A economia é a força motriz que distribui rendimentos e elimina montras com papel de jornal, edifícios devolutos e recantos conspurcados que se evitam. É a força que dilata a dimensão da baixa da cidade. Somos, em toda a ilha, um quarto de milhão de habitantes. Uma cidade é auto suficiente a partir de um milhão porque assegura uma variedade de venda de produtos e serviços em plena simbiose com as necessidades, aliado a um poder de compra que sustenta o mercado. A Madeira tem cidades fruto da política, sem um tecido urbano pujante. As cidades mais vivas e bonitas que conheço não caíram na macrocefalia dos centros comerciais apesar de terem inteligentemente feito centros comerciais a céu aberto, colocando por rua ou zona aquilo que mais cativa os clientes a entrar num comum centro comercial, a comodidade, tanto para o cliente como para o comerciante. É evidente que numa cidade antiga como o Funchal não temos as condições ideais, mas podemos torná-la numa singularidade atraente. A frenética Amesterdão de ruas estreitas, de edifícios exíguos, tortos e velhos não os deita ao chão, mantém a fachada e junta os interiores. Veneza é outra singularidade. Uma cidade atraente é a que torna um turista contemplativo num cliente que compra para deixarmos de ser um quarto de milhão.

Coadjuvados por associações empresariais que servem a ditadura económica da Madeira temos produzido macrocefalia e limitação de oportunidades. Não conheço cidades saudáveis na mão de meia dúzia, o sucesso está em derramar as oportunidades num ambiente multifacetado e multicultural, aderindo à globalização. Por instrumentos legais recentes e pelo turismo que vinca memórias, somos opção para um calmo desfrutar de vida de um considerável número de pensionistas da Europa, uma razão mais para zelarmos pela qualidade dos serviços de saúde e promover um comércio que forneça as necessidades de outras paragens. 

O debate é urgente numa cidade de muitas portas fechadas, a campanha não serve para insultar, enlamear, recontar, adulterar, fingir, fotografar. Fortes homens e mulheres que querem governar mas incapazes de usar argumentos em debates públicos. Porventura disfarçam o medo de, mais cedo ou mais tarde, os seus nomes soarem como responsáveis directos ou indirectos pela situação da cidade do Funchal.


A cidade não resulta de 4 anos de Cafôfo mas de um marcante evento climatérico extremo e, sobretudo, de catástrofes económico-financeiras que se abateram sobre os cidadãos e empresários de um município falido que subscreveu, no mandato anterior, as condições de gestão impostas pelo PAEL (Programa de Apoio à Economia Local), reflectidas na gestão de Cafôfo, realçando-se que dos 29 milhões de Euros de facturas em atraso submetidas, 21 milhões foram para empresas do GR. Apoio à Economia Local? Apenas no início do corrente ano a CMF se livrou do PAEL, diria que Cafôfo só teve um ano de mandato. Este município tão apetecido e busílis político foi berço de uma Quinta Vigia incapaz de produzir qualquer contrato programa com a CMF até ao momento mas, teve como boa vontade da Câmara, ora Confiança, a transferência de mais dinheiro para o conjunto das 5 juntas do PSD do que para as suas. Uma grande diferença de atitudes e critérios. Como acreditar em sentimentos sinceros de lealdade por estes munícipes funchalenses com a agravante da economia regional ser condicionada por um autómato financeiro ultra liberal que professa as ideias de Passos Coelho e Maria Luís no seio do lobismo? Será por tudo isto que Cafôfo, o careca diabolizado, escolheu o slogan “Pelas Pessoas” e a principal opositora sente necessidade de ser “Leal”?



Diário de Notícias do Funchal
Data: 02-09-2017
Página: 24
Link: Debate em monólogo
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa:

sábado, 26 de agosto de 2017

U-na-ni poli-poli-ana

ara escolher temos de estar suficientemente distantes a contemplar o quadro sem emoções ou interesses em abono da sociedade. Com 2 passos atrás ganhamos amplitude, com o nariz pregado na “obra” a vista não alcança e o cérebro não acolhe o que importa. A acção dissipa a fumaça vertida na tela política para vermos traços com sentido. A política não é um reality show de criaturas larocas que por safadezas atraem audiências, trocando o momento para dizer o que se pretende construir para o eleitorado em 4 anos por maledicência que não é programa eleitoral, uma estratégia para ganhar sem categoria e sem foco no servir. Estamos em plena folia, idêntica à que leva alguns idiotas ao poder pelo mundo fora ao colinho do marketing, do populismo e do extremismo.

A Região vive numa deformação democrática oriunda da ideia de posse e propriedade do poder, resultado de 40 anos no seu usufruto. O constante açambarcamento da economia e das oportunidades pelos mesmos não permite o integral desenvolvimento da Região, criando ricos mais ricos e pobres mais pobres que, para sobreviver, sujeitam-se à subjugação. O orçamento da Região está sequestrado para cobrir empregos a peões e manter empresas/ figuras de regime que induzem a mais obras megalómanas para facturar sem utilidade mas … enriquecendo. Conhece planos sérios a médio e longo prazo para o povo desta Região? O máximo que consegue é um orçamento regional ano a ano. Não se vislumbra qualquer navegação à bolina para tanto vento contrário no seio do povo. A solução política única é a estratégia habitual que resume o voto num mesmo partido sugerindo uma solução ao povo: pertencer à máfia no bom sentido, vivendo ad aeternum com uma cenoura num sistema esgotado pelo núcleo duro.

Tudo isto tem um fim, pela demografia e pela economia. A demografia definha porque não se permite nascer nos orçamentos familiares e quem estuda foge deste esquema. Outros fogem em boa idade laboral ou por chamamento de famílias. A novidade está na Madeira enquanto plataforma giratória da situação na Venezuela que redistribui os nossos emigrantes por outras paragens mas, a pequenez não convence a par de um certo trato sectário e preconceituoso. Uma perda de oportunidade para revitalizar. A economia passa sempre pelos mesmos em sucesso assistido pelos governantes. A Madeira resume-se a um condomínio fechado, onde seus condóminos surgem de ora em vez para se abastecer do voto. Creio ter dito o suficiente para afirmar que as eleições são momentos aflitivos que colocam em causa o sucesso pessoal e a existência de impérios privilegiados do sistema. Da aflição por necessidade nasce o ódio que valida o poder a todo custo e meios, abusivos, fraudulentos ou com chantagem no seio da deformação democrática. Quem deseja ser justo ou adversário é olhado como um ladrão que vai tirar o pão assente na tal ideia de posse e propriedade da democracia e do poder.


Neste panorama, o Director deste Diário faz escolhas. Não tem páginas a metro, o DN não nasceu de um apoio financeiro nem é de brincar aos 10.000€. Tem história! As escolhas são muito fáceis, sem u-na-ni, poli-poli-ana, instruções da Quinta Vigia e muito menos anda ao sabor dos humores dos candidatos. A escolha é a notícia e não a agenda para encher chouriços, essa que quando fica de parte eriça uns mancebos políticos que resolvem a azia denegrindo tudo e todos nas páginas das redes sociais. Se tem valor e conteúdo sai, se é maledicência e especulação estéril não. Cá vão uns factos sobre o que ele aguenta, vamos “Libertar o DN”! Deve o Director noticiar as vezes que lhe telefonam com ameaças de morte ou de que pegam fogo nas instalações? Publica as fotos de orgias e cowboyadas dos ricos do sistema no estrangeiro (para não dar nas vistas aqui) que chegam à redacção anonimamente? E as safadezas que alguns puros de sucesso fazem para arranjar tacho jogando em todos os tabuleiros sem que o sistema detecte? É para apontar os que atraiçoam e tiveram um tacho-prémio nesta Renovação? Enumera as amantes que retiram lugar aos credenciados para governar fazendo ainda sobrar impropérios aos lesados? Aponta aqueles que não vergando à chantagem são impedidos de evoluir profissionalmente? É para dar conta dos candidatos que só assinam a candidatura depois de ver um vínculo sem risco na função pública ou que são promovidos com retroactivos? Fala das salas e festas de chuto e dos financiamentos obscuros, desses que a moral apanha mas, a justiça não? Que sociedade estão a fomentar? Desejam um Correio da Manhã regional? É para contar tudo escabrosamente ou preferem um órgão de INFORMAÇÃO isento e responsável? O “DN livre” deve dizer que vai uma grande aflição no fanatismo promovido por benesses à conta da política? Essas indutoras de ódio tresloucado por considerarem que outros, tão ou mais aptos para a política, são inimigos e não adversários ou companheiros? A maledicência é sintoma de um competidor à altura. Estamos tão só num cheirinho do que a simples ameaça de perda do poder exerce no comportamento dos dependentes da deformação democrática, os da posse e propriedade dos cargos sine fine temporis. Temos por cá tanta Trump-alhada como nos EUA e o mesmo fanatismo cego dos apoiantes de Maduro que garante benesses. A moderação é de todo conveniente com tamanhos telhados de vidro.

U-na-ni, poli-poli-ana, o (e)leitor vai ser chamado a escolher num ambiente político assente no que suja mais branco antes que alguém leve um “Picasso”. Porque a crónica é sem tabus, uma pergunta desconcertante, é com isto que o PSD Madeira quer disputar 2019 e governar a Madeira? Zele por uma bipolarização credível para 2019 em que duas partes ameaçadas, uma pela outra, terão de escolher melhor as pessoas, objectivos e programas. Coloque exigência, isto com aventais e outras coisas mais, putos impreparados, lobbies, dependentes, pretendentes a salivar e amestrados do PSD do continente com ódios da democracia deformada não vai dar certo. A pré-campanha selvática não é mais do que o PSD Madeira a viabilizar a solução única, a sua, em 2019, eliminando a concorrência que poderá surgir em força. Em Junho de 2016, escrevi “As Autárquicas decidem as Regionais”, são para a câmara e a antecâmara do poder que conta e mantém o sistema e a deformação democrática ou não.


Diário de Notícias do Funchal
Data: 26-08-2017
Página: 28
Link: U-na-ni poli-poli-ana 
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa:

sábado, 19 de agosto de 2017

RTP Madeira 2 de 2


(continuação, ler Crónica Sem Tabus do último Sábado 12-07-2017)

2010: Subdirector de conteúdos, Gil Rosa (chefe de serviço da RDP), é escolhido pela administração para subdirector de conteúdos (RTP) que acumula os trabalhos da programação, produção e informação. Com a chegada de Martim Santos, extingue-se a Direcção Adjunta de Informação, junta a informação com a produção, algo sui generis no universo RTP, provocando a perda da autonomia da redacção e, consequentemente, na informação. Mais tarde, consuma-se a vinda do subdirector Miguel Torres Cunha e Gil Rosa, com pouco tempo em funções, perde o cargo. Miguel Torres Cunha, saído do DN e próximo dos apetites empresariais interessados na privatização da RTP-M, compensa Gil Rosa mantendo-lhe as regalias da função sem as exercer. Realça-se uma gestão, no mínimo confusa, de uma estação pública sob ascendente dos privados. Na mesma altura, quiçá em desacordo mas com soluções pessoais em mãos, a RTP-M perde profissionais com mais de 30 anos de casa, Leonel de Freitas e Roquelino Ornelas, por reforma antecipada. Cada vez mais se troca  profissionais da área por elementos de confiança com experiência quase nula em rádio e TV. Destas acções nasce a “nova” RTP-M, onde não são permitidas horas extraordinárias aos funcionários para justificar a necessidade de contratar meios humanos e tecnologia em outsourcing, um meio caminho, um “publivado”.

2010/ 2011: O Grupo de Acompanhamento; Luís Miguel de Sousa decide escolher e liderar pessoas da sociedade madeirense para naqueles anos instituir o designado Grupo de Acompanhamento da RTP-M. Numa parcela da Televisão Nacional, com 40 anos de existência, parecem padrastos à força, na verdade é uma comissão instaladora que pretende interferir na RTP-M em favor da privatização. Sem qualquer suporte legal, o assunto chega à Assembleia da República pelas mãos dos então deputados nacionais pela Madeira Jacinto Serrão e José Manuel Rodrigues e a exposição mediática determina a extinção desta tentativa de obter o poder dentro da RTP-M. Tudo isto se produz numa RTP-M que nunca deixou de ser PÚBLICA.

2012: Ano do medo; Miguel Torres Cunha é incumbido de meter ordem na rebelião, emparelhando com Martim Santos a ver se é desta que privatizam. Começam a ocorrer reuniões com os funcionários em tom ríspido para se renderem às evidências e apoiarem um projecto empresarial para a RTP Madeira, caso contrário a estação poderia fechar. As intimidações são sugeridas com comparações sobre o que iam os funcionários perder se fossem para o mercado de trabalho dito “normal”. É o momento que coloca na opinião pública o que se passa dentro da RTP-M, fonte e início do meu estudo. Começam a surgir testemunhos de funcionários revoltados pelo trato recebido na imprensa, blogues e sindicatos. Quem de alguma forma sai, liberta-se e fala. O despedimento, sob alguma forma, entre empolado, artificial ou real existiu na verborreia da privatização.

2013: Fim do projecto de privatização; o ministro que tutela a RTP, Miguel Relvas, abandona o governo vergado por sucessivas polémicas e casos obscuros cedendo o seu lugar a Poiares Maduro, o que provoca o abandono da intenção de privatizar a RTP. Guilherme Costa é substituído por Alberto da Ponte e surge o Conselho Geral Independente com a finalidade de nomear a Administração e assim acabar com o vício da tutela em nomear os boys da política para a administração da RTP. Apesar da evolução do contexto nacional, entre a fase da tentativa de privatização e o arranque do Conselho Geral Independente, a RTP Madeira manteve, até hoje, a mesma Direcção promovida pelo interesse da privatização. Parece que se apostou em vencer por usucapião. A cada visita inócua de elementos da Administração nacional à região, a esperança acaba defraudada e a dialéctica beligerante acentua-se entre os funcionários que se acham públicos e os que se acham “privados” (novos, dóceis ou adaptados que olham para o seu emprego no outsourcing em condição precária). Sobrepõem mais confusões, não resolvem a actualização dos equipamentos e não determinam rumo, estratégias, quadros e lideranças. Só adicionam ruído.

A RTP Madeira é PÚBLICA e não há qualquer indefinição ou dúvida a este respeito, o que significa paralelamente que a actual direcção está deslocada no tempo, do princípio e do espírito de uma televisão de serviço público e não de serviço empresarial ou político que tantas vezes deixa transparecer. A RTP-M necessita de purgar ascendentes, permitir que o mérito vingue numa estação bem equipada, o brio surgirá e os vícios serão abafados. A estação regional, para que nunca mais se coloque a sua existência em causa, precisa de paz, de share e dos madeirenses ao seu lado. A história da RTP Madeira, sobretudo nos último 8 anos, é de cúpulas que, desejando poder, se esqueceram por completo de deixar trabalhar no interesse da Madeira, parece que se sabota até atingir os objectivos e depois logo se vê. A RTP-M perdeu valores antes do tempo, não necessariamente seniores acima dos 50 anos com reforma antecipada, por vezes gente da casa colocada na prateleira, formada e cotada para a TV. Há funcionários por despontar, só precisam de ambiente e condições. A RTP-M necessita de fechar o ciclo que vive sinistramente há 4 anos e cingir-se à linha da RTP Nacional e das recomendações do Conselho Geral Independente. Qual a dúvida?

Com a influência que a Venezuela tem na Madeira, ninguém pia sobre a sua vocação natural para a cobertura singular do que se passa naquele país e assim afirmar a estação? Tão fácil seria brilhar e ganhar respeito. Em determinados dias, a informação da RTP-M parece saber que existe um importante jogo no estádio mas decide fazer a cobertura sobre 2 ou 3 detalhes nos balneários. Enquanto o “mundo pula e avança” a RTP-M está na sua “alegre casinha”. Enquanto uns desesperam lutando por liberdade e democracia na Venezuela outros fazem o trajecto contrário na Madeira. O telespectador topa e desconsidera o serviço dos Donos Disto Tudo.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança: / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades. /Continuamente vemos novidades, / Diferentes em tudo da esperança: / Do mal ficam as mágoas na lembrança, / E do bem (se algum houve) as saudades.” (Luís Vaz de Camões in Sonetos).



Diário de Notícias do Funchal
Data: 19-08-2017
Página: 28
Link: RTP Madeira 2 de 2
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa:


sábado, 12 de agosto de 2017

RTP Madeira 1 de 2


m dois Sábados abordarei a RTP-M pela evolução da conjuntura dos últimos anos, naturalmente a abreviar mas, suficientemente informativo, e espero que fiel, para sabermos como se suicida uma estação de TV. Os nomes são acessórios mas fazem parte do imbróglio que a RTP nacional, única responsável, estranhamente permite e não resolve.

A RTP-M encerra em si própria um excelente guião para uma novela em prime time. O ambiente tórrido que se vive na estação deve-se à circulação de nomes em vez de objectivos a bem do serviço público. Ao abordarmos os problemas da estação, chegaremos então a nomes com menos subjectividade nas acusações. A permissão da conjuntura é que dá importância aos nomes. Arranquemos com umas perguntas. Porque não estão os madeirenses incondicionalmente com a sua TV? Porque houve indiferença atroz quando se insinuou o seu encerramento? Quem falhou durante todos estes anos na actualização dos meios técnicos para trazer outro entusiasmo aos funcionários? Que objectivos coloca a RTP-M aos seus funcionários? Qual a idoneidade das lideranças? Tem um desígnio ou simplesmente não há moral? Trabalham para que share? Porque é que em algo tão exposto segue a tradição tachista na região? Porque é que quanto mais formado e experiente na área mais se “emprateleira”? Há 30 anos, a RTP-M abria a emissão às 18:00, a mesma hora dos nossos dias, excelente retrato da estagnação para uma TV que já deu “Bom Dia Madeira”.

Recuemos 30 anos na RTP-M. 2ª metade da década de 80 até 1997: Armindo Abreu, o Director que inaugura as novas instalações da RTP-M, no Caminho de Santo António (1995), reforça a produção regional, onde inclui mais desporto, e aumenta o número de transmissões em directo de eventos. Em 1997, o Telejornal das 21 horas surge com notícias regionais a par da actualidade nacional e internacional. Um novo noticiário entra para a grelha, o das 14 horas, o programa “Alpendre” também.
1997-2003: Carlos Alberto Fernandes conhecia profundamente a RTP Nacional e chegou à liderança depois de ser subdirector de Armindo Abreu. Foi o director técnico do canal Tele Expo que juntou a RTP e a SIC para a transmissão dos eventos da Expo 98. Esta posição privilegiada deu-lhe a oportunidade de trazer câmaras digitais e equipamentos de montagem para a RTP-M, parte do espólio da Tele Expo. O Telejornal das 21 horas passa a chamar-se Jornal das 21, para se diferenciar da produção do continente, e dedica-se integralmente às notícias regionais. Com as novas condições técnicas surgem os programas de desporto Estádio (diário) e o Fora de Campo (semanal).
2003-2005: Luís Calisto, vindo da imprensa, deu prioridade às notícias cobertas pela estação para obter diferenciação. A produção regional dedica-se a novas áreas como, por exemplo, a pesquisa sobre os Verões do passado, documentários e outros programas de informação gravados.
2005-2010: Leonel de Freitas lança o Bom Dia Madeira, inovando com a abertura da emissão às 7:30. Promove debates da actualidade no Telejornal Madeira após a leitura das notícias. É uma altura de lançamento de novos programas.
2010 - ... : Martim Santos, reduz as horas de emissão, com abertura às 17 horas no Inverno e às 19 horas no Verão com encerramento entre as 23 e as 00:00 horas. Uma TV com 4 a 6 horas de emissão que naturalmente extingue a produção fora desse horário (ex. Bom dia Madeira e noticário das 14 horas). Cria novos programas de pós produção e aumenta a duração dos programas gravados e em directo. Adiciona novos formatos de Verão.
Os directores profissionais de rádio e de televisão que assumiram a chefia da estação foram Armindo Abreu, Carlos Alberto Fernandes e Leonel de Freitas, os restantes directores e alguns quadros de confiança fizeram comissões de serviço com diversas origens: exército, EEM, hotelaria e imprensa escrita. Todos estes cargos vagueram ao longo dos anos por um parecer vinculativo do Presidente do Governo Regional (GR) e consequente decisão final do Conselho de Administração da RTP até ao Governo da República Durão Barroso/ Santana Lopes. Por esta altura passa a decisão simples do Conselho de Administração até aos nossos dias.
2010: Guilherme Costa tinha como vice-presidente José Marquitos, bem relacionado com empresários e políticos da Madeira, que os dá a conhecer ao seu presidente durante as férias, no Verão de 2009, no Porto Santo. Este é o primeiro momento do ascendente de Luís Miguel Sousa sobre a RTP-M através da amizade e proximidade com o então presidente da RTP. É também nesta ocasião que a RTP-M vislumbra um futuro mais indefinido. A RTP nacional vivia, na altura, uma possível privatização, questão que dividia o governo de coligação PSD/CDS em funções na altura. Tutelado pelo ministro Miguel Relvas, Guilherme Costa promoveu contactos com empresários em Angola e na Madeira que mostraram apetite por uma eventual privatização do canal RTP da Madeira. A RTP-M era Pública ou privada? Nada havia mudado, era pública mas, com exposição privada. Sem qualquer decisão tomada pela RTP nacional, a tentacular vertente privada evolui tacitamente a partir dos empresários da Madeira. Os funcionários surpreendidos pressupõem que algo “combinado” ocorre sem valor legal. Martim Santos, jovem ex quadro do Grupo Pestana e co-explorador do Café do Teatro com seu padrinho, assume funções na RTP Madeira, sem experiência em empresas de comunicação ou TV, o que muitos funcionários da casa, bem mais preparados, sentem como um ultraje e uma ingerência. É o momento em que se acentuam os desacordos, uns vendem-se outros não, arranca uma era de calculismos e sobrevivências, ainda para mais com um impávido e apático Conselho de Administração que não parece de confiança. Os funcionários consomem-se num silêncio e a estação definha a cumprir o horário.
(contínua no próximo Sábado)




Diário de Notícias do Funchal
Data: 12-08-2017
Página: 32
Link: RTP Madeira 1 de 2
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa:

sábado, 5 de agosto de 2017

O fio que canta

o colégio onde fiz a instrução primária, costumavam organizar uma feira do livro, numa delas comprei duas histórias do Lucky Luke que ainda preservo. Uma, muito pedagógica, colocou a professora de “castigo” a borrar de preto o grande manancial de quadros com desenhos de mulheres nuas nos saloons. A outra história de Morris e René Goscinny metia naturalmente o mais rápido do que a sombra, índios, aldrabões, sabotagens e os pioneiros da instalação do telégrafo nos EUA, ilustrando na perfeição a realidade que contarei. Publicado pela primeira vez no Paris Match, tornou-se no 71º livro do projecto franco-belga em 1977, “Le fil qui chante”, bem poderia ter como tradução “A poupança que pagamos” mas acabou por se definir à letra como “O fio que canta”, expressão dos índios sobre o fenómeno que ocorria na região, o que também não anda longe da realidade, de facto “cantamos”, duas ou três vezes, depende da perspectiva.

A 8 de Agosto próximo, passam-se 3 anos da assinatura de um contrato entre o Governo Regional (GR) com uma empresa do grupo EEM, designada por Emacom, que visava criar uma rede de comunicações privada do GR no âmbito do projecto eGov@Madeira.

Importa recuar a 2014 e relembrar que o GR e PT estavam em maus lençóis financeiros, a última exige por cobrança coerciva as facturas de comunicações pendentes no GR. Este, por sua vez, avança com um projecto que parecia um correctivo à PT como forma de pressão negocial, promovendo uma alternativa que o fizesse poupar cerca de 1.2 milhões de Euros ano, prescindindo dos serviços da PT. O governo da altura lança assim o concurso público internacional (CP03/SRF-DRI/2014 da Secretaria Regional do Plano e Finanças) para a instalação de uma rede de comunicações privada para a administração pública da Madeira, curiosamente excluindo o SESARAM. A EEM, empresa tutelada pelo GR e “braço armado” em muitas ocasiões, concorre e ganha a solução de comunicações exclusiva do GR. A PT, outro concorrente do projecto, discorda do resultado e suspeita de “arranjo” e instrui um processo no Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal. Nesta acção, a PT pede a nulidade do concurso com dois fundamentos, o do preço base de 5,6 milhões de euros indicado como demasiado baixo para a solução que o GR desejava implementar e a duração do contrato de manutenção por 20 anos (até 2034), o que garantia a PT longe por esse tempo, mas que, segundo a empresa de comunicações, não estava devidamente fundamentado por requerer outro procedimento pela razão de se estender por mais de 3 anos. O tribunal só deu razão à PT no segundo argumento do qual o governo recorre. Para tornar mais interessante a situação, o preço que era curto para a PT permite à EEM dar de subempreitada a instalação a duas empresas.

Como se depreende, as etapas do concurso prosseguem, o GR avança e disponibiliza 4.3 milhões de Euros à EEM (85% comparticipado pelo FEDER), sendo 2.7 milhões de euros respeitantes a equipamentos e montagem da infraestrutura e outros 1.5 milhões de Euros relativos a formação, gestão, monitorização e assistência técnica. Se assim fosse, era um “negócio da China” e, pelo valor da despesa anual com a PT, o investimento seria amortizado em 4 anos. Segue-se, naturalmente, outra necessidade, pagar a manutenção e monitorização anual para que o projecto não se desactualizasse ou ficasse ferido de equipamentos essenciais, vai daí, ao custo de implementação segue-se outro custo anual, uma brincadeira de 1.2 milhões de Euros por cada um dos 20 anos. É aqui que todos nós, enquanto contribuintes, começamos a perceber que íamos pagar mais por esta poupança, pois só a manutenção anual tinha o mesmo custo da factura anual da PT (com os preços a descer) ficando unicamente a autonomia como trunfo mas, a história não acaba aqui. Por outro lado, a PT ao colocar o caso em tribunal entorna o caldo ao GR, porque é má fé poder pagar a manutenção anual da rede privada (pelo mesmo valor da factura anual da PT) e não saldar as facturas. Nesta situação, o GR ignora o seu projecto e adjudica, através de diversas secretarias, o serviço de comunicações à MEO (PT) para todo o governo com o intuito de calar e acalmar os pagamentos em dívida.


Neste momento, a poupança do GR resultou num incremento da factura de comunicações pois tem de pagar à PT e honrar o contrato com a Emacom, da qual não resultou todavia nenhuma rede privada e são os funcionários públicos a monitorizar o que existe. Se por um lado tivemos um Secretário do Plano e Finanças de 2014 que se foi entalando com o evoluir da conjuntura, neste momento temos a SRETC, na já tradição da Renovação, a assobiar por via do corte mental com outros governos do mesmo partido. Mas há paralelismos, a exemplo da sugestão de tarifas por via do subsídio da mobilidade aérea, o secretário do cabo submarino teve a veleidade de sugerir o tarifário do futuro ferry e, mais recentemente, alvitrou uma baixa de 16€ ao consumidor nas comunicações, naquele ímpeto de mostrar serviço que acaba em borrão. Preços é matéria exclusiva dos operadores que constroem uma rentabilidade de forma competitiva ou abusiva. O secretário só fica incumbido da feitura do caderno de encargos e do quadro legal das operações de forma inteligente para que os operadores, do que quer que seja, não se aproveitem da incompetência. Para quem já afirmou que a factura das comunicações vai descer 16€ ao consumidor, desconhecendo-se a lógica do número, era bom começar a focar-se na responsabilidade do GR em não pagar duas vezes as comunicações do governo, a rede privada paralisada e a da MEO. Se fizermos contas, afinal não são menos 16€ nas comunicações por cada cliente/contribuinte. À data da implementação do projecto de rede privada de fibra, era esperado que o Governo até tivesse VoIP (chamadas telefónicas sobre a internet) para justificar o investimento e a poupança obtida, no entanto, a realidade é que agora, em vez de uma factura, o governo paga duas à PT com as chamadas telefónicas em separado. Este é um caso em centenas, Deus vai nos providenciar mais Sábados. Com décadas a jorrar euros da Europa, deveríamos ser um povo a viver bem mas ainda pagamos a falência e aturamos o “Diesel & Bloom”.


Diário de Notícias do Funchal
Data: 05-08-2017
Página: 28
Link: O fio que canta
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa:

sábado, 29 de julho de 2017

As vacas que não voam

as condições climatéricas que ultrapassam os limites impostos pelos construtores de aviões e do aeroporto estamos falados, quanto às condições dadas aos passageiros durante a inoperacionalidade do campo de aviação, é outra coisa. Qual o plano de contingência para estas situações? Tudo ao molho e fé em Deus, são muitos os avisos mas ninguém liga. O aeroporto do bi-melhor destino insular do mundo no World Travel Awards é conhecido por tarifas aéreas exorbitantes e taxas aeroportuárias que escaldam, no entanto mal foge da rotina não há plano B e os preços são um logro, passamos de passageiros a gado. Quando as vacas não voam, toda a pastagem é deixada à sorte pelos cowboys gestores, quiçá em busca de um prémio de excelência ou produtividade, escravizando todos e fugindo à responsabilidade. A falta de resposta corresponde à ausência de trabalho em matéria de prevenção e seguro colectivo para as eventualidades que já não são tão dispersas no tempo.


O Aeroporto da Madeira deve ter colchões, cobertores e almofadas para situações de emergência. Não é novidade noutros aeroportos onde vemos militares a ajudar, bastava repetir a logística da semana do desporto. E que tal um apoio a bebés e crianças? Informadores itinerantes? Aumento da frequência das limpezas? Locais para carregar telemóveis? Reforço de turnos? Nem equipas de apoio com água e copos para ultrapassar o esgotamento de stock nos bares e a inacessibilidade às torneiras dos WC com filas metabólicas. A água deixa de ser um negócio para ser uma urgência na inoperacionalidade, se começar a haver desmaios comprovaremos como não foram activados serviços de apoio consentâneos com a aglomeração de pessoas sem condições e em espera por largas horas de pé.

Naqueles dias, a fila do principal balcão de atendimento dava a volta pelos elevadores e prosseguia em frente à loja das revistas, dos drops e por aí fora. Quem começou na zona das revistas, ao fim de 12 horas estava em frente à polícia; estimando-se em mais 6 horas para ser atendido, desistiu pois o balcão estaria fechado quando lá chegasse. Não cobrar as remarcações e paralelamente não reforçar o call center é uma não decisão, agravada ao não permitir que agências de viagens aliviem o trabalho do call center intervindo nas suas passagens. As extensas filas no balcão principal foram sintoma do descrito. Belo foi cumprir o horário de serviço e encerrar às 23 horas, insensível ao caos e à sensação de impotência porque ninguém atende telefones. Os que tiveram sorte no atendimento presencial, por persistência de um dia de trabalho, o caso não foi resolvido, na maior parte, as remarcações renderam até uma semana depois. Alguns, satisfeitos ao chegar ao hotel para descansar, mesmo com voucher, não tinham lugar. O remédio foi passar a noite no aeroporto. Nestas horas, os direitos dos passageiros pouco contam, vencidos pela inércia ou pela resignação.
Foto DN - Madeira
Aprenda a domesticar o metabolismo, abstenha-se de comer e leve fraldas na bagagem de mão. Durante a inoperacionalidade do aeroporto, a sua necessidade fisiológica deve manifestar-se horas antes, lembre-se da bicha. O aeroporto não tem um espaço multifuncional capaz de se adaptar às eventualidades como servir refeições do Catering, que está a dois passos, para que as senhas tenham utilidade quando se esgota a comida no aeroporto ou albergar sanitários e lavatórios portáteis. Nestes momentos tudo emerge, o aeroporto, longe de corresponder ao básico, é um comerciante de preços proibitivos, desde logo pelos estacionamentos, tornando os bares da Estrada Regional 207 sede das esperas dos familiares e operadores turísticos.
Aquele inócuo e-mail da Directora do Turismo a apelar aos hotéis para resolverem o problema dos alojamentos soa como se estes não quisessem vender ou arranjar uma cama no vão da escada, quando tudo falhou no aeroporto, a caminho do plano D, Desenrasquem-se. Zelar pela qualidade do destino é da responsabilidade e supervisão do GR. É preciso ir para o terreno. A Directora sabe que umas escadas foram substituídas por um elevador até que viram o erro e agora pensam encerrar uns WC para fazer umas escadas de novo? Os tais WC que não deram para as encomendas nesta inoperacionalidade. Despejar dinheiro na promoção não terá qualquer efeito com estas barracas, não falo de vento, falo de ausência de profissionalismo e brio não comerciante que anda a reduzir custos onde não deve.
Quando me perderam a mala na Alemanha, ao chegar ao balcão encontrei uma “alemoa” com um esbelto corpo que me levava debaixo do braço, hesitei. Esclarecida a situação, o seu sorriso foi bingo! Ganhei um necessaire com tanta coisa e o compromisso de mala no hotel com hora marcada, o momento tornou-se numa boa recordação e a eficiência suavizou o estado de espírito. Se a “alemoa” viesse à Madeira, a lembrança seria o chão do aeroporto, com sorte levava-nos o director debaixo do braço. Vi-o relaxado a falar com um ex-governante “atropelado” pela situação, tanto caos, nenhum stress, por pouco não apareceu John McClane para pôr cobro à situação. Quando tudo é tabu na aviação, desde a informação ao passageiro, às reclamações que se evitam ou desaparecem, aos dados da inoperacionalidade com a ANA, etc, a ANAC deveria ter nestes momentos um representante no terreno se está comprometida com a alínea “y” do artigo 4º dos seus estatutos: “Regular a economia das actividades aeroportuárias, aeronáuticas, de navegação aérea, de transporte aéreo e de trabalho aéreo no âmbito da aviação civil, respeitando o ambiente e os direitos e interesses dos passageiros” para um relatório independente.


Foto DN - Madeira
Estão cientes do que a mudança de modelo no turismo acarreta? Anotaram alguma coisa? É que nada mudou com as outras inoperacionalidades. É possível transformar maus momentos em boa publicidade até pela cobertura dos média. Uma palavra de apreço aos poucos que em serviço deram tudo. Quando a conjuntura proporciona a vaidade dos números, que tal apostar num plano de contingência que instrua o aeroporto para os desafios da inoperacionalidade? Isso é que era, mesmo com passageiros a pastar seria ... uma vaca feliz, outra vaca feliz, uma ilha de vacas felizes, andam sempre a passear, têm vista para o mar, o pasto verdejante é o seu manjar.



Diário de Notícias do Funchal
Data: 29-07-2017
Página: 24
Link: As vacas que não voam
Clique por favor para ampliar o recorte de imprensa: