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domingo, 31 de julho de 2016

As autárquicas decidem as regionais

Governo Regional segue a pleno vapor ultrapassando já um quarto da viagem dedicada à formação de impreparados, atolados numa máquina viciada e com medo das sombras. A navegação deixa uma esteira com vagas procelosas sobretudo às pequenas embarcações autárquicas do PSD-M, as vítimas que se seguem, suspirando por vento de feição. Os novos pretendentes encontram um mar de oportunidades, rezando por boas notícias do G.R. para não vacilar. Se o PSD-M não tratar da imagem do seu governo, criará o mesmo efeito de contágio das últimas autárquicas a outros aspirantes que vão dar a cara. Se o molde da Geringonça chegar à Madeira e trouxer coesão, evitará a tradicional época de tiros nos pés na oposição, por disputa de ambições. O apoio público de Costa a Cafôfo é sintomático da importância que cada autarquia tem para o ambiente político nacional neste mandato de trapézio que necessita de rede. A conjuntura nefasta aos candidatos laranja das últimas autárquicas tende a repetir-se. Aos que se perfilam como candidatos apetece-lhes muito falar mas estão no silêncio que garante as boas graças. Por outro lado, a Renovação apercebe-se da exiguidade de quadros credíveis para liderar candidaturas depois de não ter unido o PSD-M no momento da vitória. A eventual migração de algum “general” para as autárquicas será uma prova de fragilidade, sobretudo no Funchal. Um mal menor perante a necessidade de garantir uma perspectiva positiva para as regionais.

Das cúpulas do PSD-M afirmam “vamos ganhar as autárquicas”, legitimas aspirações mas é igualmente plausível que, para além da avaliação do desempenho das câmaras e das juntas, as contas não partam do resultado das regionais mas sim de uma nova avaliação que se estabeleceu, fruto do defraudar das expectativas e da combustão do crédito político. O PSD-M anda com um problema felino. Se prosseguir gatinho afunda com os lobbies, se reaparecer leão emerge no eleitorado. Porque é tão difícil optar? Os lobbies vão-se servindo em condomínio gradeado, betonado, onde lhes der jeito mas o saldo com o eleitor é negativo. A Renovação é observada como um desperdício de know-how (e momento) político substituído por formação teórica servil, quase sempre oriunda das mais finas estirpes familiares, detentoras do exclusivo da inteligência mas que não contam na hora da exigência eleitoral. Produzem, tão só, a multiplicação de um elitismo desenraizado da realidade e das urgências da sociedade. As redes sociais vão resolver tudo?


Foto: Diário de Notícias do Funchal
Com quase metade do PSD-M ostracizado por uma legítima fracção da lotaria, somam-se agora os “derrotados”, acabando por dar razão a quem diz “o PSD não muda”. Não unir o PSD-M e pensar na caranguejola, se acaso corre mal, é delicioso. Não aturam os seus para aturar os outros com confusões piores. Uma “magnífica” imagem partidária para os eleitores fazerem voto útil. Parece que o PSD-M da Renovação atira para trás das costas as suas responsabilidades porque entende que nasceu só nas últimas regionais e pretende seguir em frente com carne fresca, no entanto, o enguiço não findou. As consequências da austeridade duplicada e do colossal calote são sua herança também.

Os eleitores da Madeira olham igualmente para a experiência nacional. O que temos? Saiu Passos e Cavaco, tudo arejou. Era dos malhadeiros. Comandados pela dupla senhor feliz derrotado à Câmara de Lisboa e senhor contente derrotado nas Legislativas Nacionais, segue o país com um novo astral, ébrio de triunfos desportivos numa conjuntura hesitante mas, a atitude do país mudou. A confiança pergunta o que vamos ganhar a seguir, renasceu a autoestima para nos darmos ao respeito. Ousamos discutir as sanções da injustiça e da dualidade fazendo respeitar a nossa democracia e o sentir do país. Trouxemos alguma vitória e não só o habitual saco de austeridade. Só se consegue com pessoas de mérito no quadro da selecção natural porque tiveram nova oportunidade. Tudo isto persiste na cabeça do eleitor por comparação, de momentos e de pessoas. As realidades misturam-se e formulam o ambiente das autárquicas que decidirá o ambiente das regionais na Madeira.

O PSD-M vai a Passos largos de repetir o que se está a suceder com o PSD nacional: descredibilização. Quando fala não parece genuíno. Um Domingo depois da sua festa, os argumentos dos discursos dissiparam-se com forte contributo de Passos Coelho. O PSD-M é na democracia regional o toque de caixa, que se lembre da expressão “conforme o toque, conforme a dança”. Em política, se o toque for ruim o resultado dança. O PSD-M tem mais 3 momentos para usar e reverter a má tendência: uma remodelação governamental, um congresso que precede as autárquicas e as próprias eleições locais, contudo, sem argumentos na governação de nada valerão. O sinal entrou no laranja, dar tudo no fim do mandato será tarde, tal como na saúde quando cura chega depois da morte.

O Portugal que se une em torno da Selecção mas também em torno da sanção, são bonitos episódios de conciliação que destroem o dividir para reinar. Só não vence quem trabalha para a derrota de forma obcecada. Precisamos de um PSD positivo, que se lembre da criação do depreciativo Geringonça, agora uma bandeira que cada vez mais o ameaça, não conta o nome mas sim o jogo. Com todos os “autocarros” na baliza o PSD, de lá ou de cá, se não muda, continuará a sofrer golos.

Tenho um ano para perder a razão.



Diário de Notícias do Funchal
Data: 31-07-2016

Página: 12
Link: As autárquicas decidem as regionais

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Nova peça de teatro em nova temporada

O OBSERVADOR é uma imitação de órgão de comunicação anglo-saxónico com interpretação política definida e constante que condiciona a informação e a opinião. Está no seu direito, cabe aos leitores avaliarem o crédito.

Passos Coelho nunca será social-democrata, mentirá o que for preciso para chegar ao poder e depois de lá estar voltará ao mesmo. Não estou a dizer nenhuma novidade, depois dos últimos quatro anos. Com ele, o "social" deveria cair da sigla do PSD e o "democrata" deve ficar bem ténue atendendo ao seu entendimento sobre a constituição, ao tratamento corporativista do partido em vez do respeito pela democracia representativa mas, sobretudo, porque quem lhe deposita o voto não fez mais do que o seu dever para pessoa tão importante. Soberba e arrogância.

Passos a caminho da reeleição. Por fim a social-democracia?
Encontrará tecnocratas para fazer coro, sobretudo os que precisam de alimentar o sucesso, todos eles a berrar para tentar fingir número. Os resultados eleitorais do PSD nunca foram tão pequenos e hesitantes. Se o PSD mantém Passos Coelho sem o CDS vai ser o desastre porque ninguém acredita neste repentino baptismo na social-democracia. Há muitos social-democratas, suficientes para uma maioria absoluta, cai para menos de metade os que são do PSD, deste PSD. Passos Coelho está a dizer o que as pessoas querem e gostam de ouvir mas, esquece que também destruiu a vida a social-democratas com a austeridade estúpida.

Neste momento, os tecnocratas vêm buscar os votos e o poder às pessoas. Por incrível que pareça esses malditos votos ou apoios não saem da folha de excell, da Merkel, dos mercados. Que descoberta tão tardia para gente que se arroga sempre mais inteligente. O PSD está em crise de identidade por fraca geração de lideres e vai piorar. O PSD está em crise de resultados porque odeia social-democratas.
A celeridade com que o PSD-M aderiu à candidatura de Passos Coelho, sem esperar para ver se há mais, indica que é convictamente da mesma estirpe e isto vai dar muito errado.

Uma coisa é a arrogância de entenderem que têm sempre razão, outra coisa é a azia da realidade. É assim que ficam furibundos numa atitude mal formada do quero, mando e posso.

O insucesso é a austeridade do PSD, estranho que não goste.

O PSD ao perder a razão não hesita em atrapalhar os destinos do país metendo areia em todas as engrenagens possíveis. Estamos sempre a ver, fica registado.

O OBSERVADOR distraiu-se na foto, para condicionar a realidade é necessário a máxima atenção. O pai de Passos Coelho também não é deste PSD.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Não governo para eleições

falta de sensibilidade social marca o mandato que ora finaliza, mesmo com todas as atenuantes do resgate. Estamos a avaliar este mandato, o outro já foi, o momento e os personagens. Passos fez da discórdia entre portugueses um método para implementar reformas duvidosas na aflição de cortar despesa. Do que disse e do que realmente fez nasceu o reconhecimento de mentiroso em sondagem.

O descrédito da palavra tem consequências pois é com ela que se comunica, ainda assim, a verdadeira campanha eleitoral é de 4 anos de acções e desaforos. A tentativa do “ou eu ou o caos” não funciona, os eleitores perderam demais, muitas vidas estão irreparáveis e agora não sentem medo. O discurso emotivo também não funciona a paredes-meias com a injustiça, o coração é cada vez mais de pedra, até nos doces grisalhos. Imagino o eco que encontra o discurso do trabalho feito, que deve ser recompensado, sobretudo nos funcionários públicos onde nem na carreira encontram alento. Resta saber o grau de desânimo que leva à abstenção, contando que Passos neutralizou muitos votos, claramente contra, com o “emigrem”.

Foto de Justin Russo/ Solent News
Como aqui chegámos? Passos deslocou o PSD da social-democracia para um neo-liberalismo obtuso, por convicção e na excelente oportunidade oferecida pela Troika para concretizar o seu ideário e, foi mais além, de forma desumana com o preciosismo das folgas orçamentais. A austeridade não foi um contratempo político, antes um pretexto muito a gosto. Por isso não há passo sem confusão nesta campanha que já deu lugar à desembestada. Acabar com a classe média serena é semear um país ingovernável.

O povo não deseja a ilusão “naïve” do Syriza mas gosta de confiança e esperança, de vida, um rumo para pagar sem deixar de viver. Temos uma economia dizimada e, para além do verdadeiro desemprego e da simulação do contrário, 900.000 empregos estão em 20% das empresas nacionais em dificuldades. Estamos sem anéis para uma próxima crise e não se entende a falta de coragem para ousar. Tivemos uma equipa governativa que não tentou alternativas, não moldou o guião de outros interesses mantendo o inevitável. A criatividade é bem-vinda num país tão vigiado pelas instituições europeias e financeiras. Qual o risco e quem vai votar?

Passos eliminou a crença na supremacia da acção política em favor da supremacia da acção financeira e deixou a economia para segundo plano. Assim não se paga, troca-se e acumula-se empréstimos, dívida. Provocou uma grave crise de identidade até entre os militantes e simpatizantes social-democratas. Com a saúde, a segurança social e as reformas também eles hesitam. Passos não entende que se respeitar a ideologia do PSD, haverá um capital de confiança e um eleitorado fixo, independentemente das qualidades ou não do líder.

O PSD precisa de orientação política. O desnorte nos argumentos, onde Passos se emaranha com explicações e perde, é sintoma das decisões avulsas de outros.

Com este quadro, Passos elaborou listas onde os candidatos tacitamente se comprometem a renunciar ao mandato se divergirem das orientações do PSD nas votações da A.R (Conselho Nacional 10 Julho 2015). Não sendo imposição, sabemos bem o que significa. Perdeu-se a noção da representatividade dos eleitores, basta que seja definido pelo futuro Grupo Parlamentar. Com esta predisposição, ter experiência em coligação será um desalinho certo quando já não enfiaram o Barreto. Assim nasce a mordaça dos lobbies. Vamos votar para aniquilar a democracia representativa? Facilitando quem não respeita a Constituição? Não se deve abrir precedentes. Política sem liberdade será um despotismo insuportável. Vamos de autonomia cambada para vergada e sem opinião na A.R.? Quiçá com 4 ou 5 deputados com voto condicionado? Imiscuir mais Passos nas decisões que a autonomia nos confere é enfiar-se num colete-de-forças que já foi provado.

Os portugueses deixaram de escolher um candidato para lhes dar uma solução global, essa é a via do arrependimento. Votam cirurgicamente, em consciência e não toleram armadilhas.

Cirurgicamente? Se as sondagens irritam, trocam as voltas pois as suas vidas não são de certezas. Se o banco lhes foi desonesto, votam na Mariana para sentir o prazer de trucidar o salpresado mas espreitando o aguenta-aguenta. O ar impávido de Passos vai além da verdade? Votam na Catarina, porque faz roçar os dentes. Levam as regalias sociais básicas, aplicam o camarada Jerónimo. O Tribunal Constitucional safa algumas regalias? Distribuem a votação para evitar uma maioria de 2/3 no arco da governação e a consequente revisão constitucional. Detectam candidatos que vão representar lobbies? Afundam-lhes a votação. Alguns até votam no Passos, desde que o Pacheco e a Ferreira Leite passem o dia a rachar lenha.


“Somos um partido de esquerda não marxista e continuaremos a sê-lo.”
Palavras de Sá Carneiro, em 1975, convicto de que o fim da política residia na pessoa humana. Os argumentos do actual PSD estão a deixar este espaço vago, por isso o PSD tenta coligado quando antes era possível só.
Sem paz, pão, POVO e liberdade, Portugal não existe e o PSD também não. O povo anda à procura de humanidade na esquerda, não importa se marxista. Afinal governar para eleições faz todo o sentido e ir votar também.

Quem estima ser sucedâneo deve aprender com a ante-estreia.


Diário de Notícias do Funchal
Data: 24-09-2015
Página: 10
Link: Não governo para eleições


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