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sábado, 24 de junho de 2017

Há mar e mar se o homem deixar

ar de chamas: o país deve criar um ciclo virtuoso na economia que contemple a reorganização do seu território com o mais convincente argumento para o ser humano: o dinheiro. Estamos numa das zonas com incidência de fenómenos resultantes das alterações climáticas, devemos usar as fragilidades para aceder a apoios comunitários e iniciar uma nova abordagem de modo a corrigir a floresta, promover emprego e investigação. Portugal pode converter-se num vendedor de soluções para o mundo nesta matéria, fazendo com que o país rentabilize e pague o seu próprio reordenamento, dando trabalho a universidades (investigação e manutenção de cursos em crise), a investigadores, a meteorologistas, geógrafos, botânicos, etc. Einstein dizia que a mesma experiência produz o mesmo resultado, é o que fazemos ano após ano. Que tal dirigir as rendas da EDP para valorizar a Biomassa? E meter mãos à regionalização como forma de combater a desertificação do interior e obter massa crítica? E leis úteis em vez de produzir a ineficácia dos instrumentos legais e jurídicos? Quem faz leis deve partilhar a sua concepção com quem vive a realidade. Que tal arejar esta “coisa” da estrutura da propriedade? Agilizar as legalizações de terrenos que ficam sem dono por eternos processos judiciais de divisão de bens? Que tal converter a época de incêndios numa estratégia anual que contempla a prevenção nos meses calmos, intervindo no reordenamento do território com uma estrutura profissionalizada?

A Holanda vive com 27% da sua área e 60% de sua população abaixo do nível do mar e converteu o seu problema num trunfo económico. Vende conceitos e soluções para a erosão das costas e a invasão de zonas urbanas pela subida das águas, também tem a indústria para implementar a solução e os laboratórios para testar. Ainda neste país, o Rio Reno acumula e desagua um caudal com a contribuição de outros 8 afluentes (rios) de 5 países. Quando transborda só sucede para lá da fronteira holandesa (normalmente em França). Existe propriedade privada mas também existe a gestão global de terrenos com a programação da sua utilidade. Não serão os incêndios tão incentivadores, enquanto agressão às populações, como as águas? Precisamos de uma experiência piloto (que pode começar nos terrenos do Estado), respeitadora da propriedade privada mas que mostre o benefício de uma outra ideia de posse e de gestão global, nesse momento teremos na nossa relação com a floresta um exemplo e uma fronteira, os de lá prosseguem com a actual situação e podem se chamuscar, os de cá sorriem pelo pragmatismo que diminui as ameaças. É criar um sucedâneo onde o ordenamento do território seja fonte de riqueza e não um luto.


APRAM: foi enviado pelos Portos da Madeira um pedido de auxílio ao GR por não ter efectivos habilitados para a preparação de um caderno de encargos. A APRAM pretende a reunião dos elementos técnicos de um Caderno de Encargos, com base em estudos preliminares, para sobre estes evoluir com quadros que ignoram o processo a fim de conceder o serviço público do Terminal Multiusos do Porto do Caniçal. Este expediente vai repetir os erros do Subsídio da Mobilidade concebido por juristas que não dominavam o negócio. Estamos num claro momento que nos diz que as equipas não são escolhidas para governar mas para satisfazer o tachismo. Entalou, estas situações só geram a suspeição por falta de profissionalismo. Não quero acreditar que a APRAM estará à procura de um bode expiatório que, cometendo erros por ignorância, vai produzir o resultado desejado sem que a administração tenha qualquer culpa. Maquiavélico, alguém voluntarioso ou desejoso por brilhar carregaria inocentemente um fardo. Tendo a Secretaria de Eduardo Jesus avençados, estes parecem incompetentes para prestar serviços neste caso. É por aqui que começa a má fama da Madeira que a ostraciza a nível nacional e internacional e que produz desinteresse não só pela dimensão do mercado mas pela suspeição e falta de idoneidade. Ao ler os trabalhos produzidos, os profissionais detectam logo o quilate do governo e aonde quer chegar. Soa a muito suspeito que um governo capaz de produzir as 37 considerações que fundamentam a Resolução nº 270/2017 de 26 de Abril deste ano, para revogar a Resolução nº 509/2008, de 28 de Maio, onde o GR reconheceu o interesse estratégico para a economia regional na aplicação do regime de licenciamento nos Portos do Funchal, Caniçal e Porto Santo, tenha agora que abrir um expediente para angariar um bode expiatório responsável por CONCEDER com novas regras. Que se cuidem os técnicos do Governo, há por aí um Bolo Rei com fava e brinde.


Petição
Petição do ferry: decorre na internet uma petição dirigida à Assembleia Legislativa Regional solicitando a declaração de interesse público para ligação marítima via ferry entre a Madeira e o continente. Sucede que o ritmo de assinaturas é baixo, e porque esta crónica é sem tabus, chego à conclusão de que as redes sociais tornaram-se num comodismo e uma falácia. Comodismo porque é a maneira mais fácil de chegar a todos à distância de um click mas que não dão a cara. Uma falácia porque muitos likes e amizades são actos instintivos de interesse duvidoso, talvez coscuvilhice. Reconheço a desilusão de outras petições enquanto instrumento abusivo de candidatos para atingirem os seus objectivos políticos. Inquinaram um instrumento que facilita a vida das pessoas para voltarmos à necessidade da primitiva assinatura presencial com a credibilidade de uma cara. No entanto, nessas ocasiões, as assinaturas dirigidas à Assembleia da República foram em dobro do necessário. A cidadania tem um potenciómetro regulado pelo medo e pela política? Acorda povo que induz a oportunidade da “ditadura”, desmoralizando os voluntariosos que lutam por todos. Madeirenses, continentais ou os quase 27.000 seguidores de um Grupo do Ferry não deveriam ser suficientes para cobrir 2000 assinaturas? Falhadas as petições de Savoy e ferry, resta o silêncio de um povo que soçobra às mãos das pretensões do poder económico que escraviza eleitores através de maus políticos. Ergam-se! Não há políticos nesta petição.


Diário de Notícias do Funchal
Data: 24-06-2017
Página: 28
Link: Há mar e mar se o homem deixar

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Eduardo mãos de tesoura

ábado Gordo, o calendário chinês decretou o fim da macacada rumo ao “ganda” galo, alvitrando que 2019 vai dar no porco com um “ah cão” em 2018. O humor com belos disfarces aprecia o cortejo alegórico, os enredos e as respectivas batucadas. Arranca o Carnaval 2017.

Samba Enredo do erro político: Eduardo invocou no início do mandato uma indemnização adiando mudanças num dos problemas da região, os portos e seus custos. O presidente do governo disse que não fazia saneamentos políticos mas o que estava em causa era o superior interesse da região para avançar com novas políticas. Mexer no modelo de exploração dos portos é urgente mas uma bomba relógio, a falta de lucidez pode contar com confusões eleitorais. Se não cumprir, falha uma promessa eleitoral, se houver meia solução perante o discurso de ruptura dará polémica, se renegociar com o lobby este naturalmente defenderá os seus interesses. Então é preso por ter e não ter cão? Exactamente! Mas há um pormenor, o timing! Um político planificava as acções fracturantes para o início do seu mandato. São estas as palavras que contam: “Não podemos ter um dos portos mais caros do mundo, não há qualquer justificação para os preços praticados nos portos da Região”. Fazer estágio técnico num governo é um luxo, o político é mortal.


Samba Enredo do novo mandato da APRAM: a missão é titânica mas poucos estão conscientes, talvez por isso a administração seja composta por 2 disfarces de Titanic e 1 de rebocador. A comunicação está pior e não augura nada de bom para a transparência a nível interno e externo. Da opção por uma financeira para liderar a APRAM deve resultar, pelo menos, na cobrança das dívidas a operadores e agentes portuários, disciplinar a facturação e a cobrança da actual operação ferry e demais inquilinos. A APRAM deve dar lucro.

Como vai a APRAM defender os interesses da região dos tentáculos privados? Como vai actuar perante os apetites de privatização de áreas sob sua tutela que prevaricam as certificações dos cais? Se vamos ter ferry Madeira-Continente, quais as regras que garantem o uso da rampa Ro-Ro? Continuaremos a dar mais área de estacionamento a um restaurante do que aos movimentos dos passageiros do ferry? Esta administração findará a falácia onde se situa o debate político sobre o conceito de ferry para condicionar os resultados? Qual o plano anti decadência nas escalas de cruzeiros? Vamos ter promoção, visão conjuntural e prestação de contas das iniciativas realizadas? Estando a economia à mercê de um oligopólio que sufoca a economia prosseguirá pelo mesmo caminho nas marinas e nos estaleiros? Em que condições ocorrerá a ampliação do molhe da Pontinha? Vamos ter mais falhados em obras marítimas? Estará a presidente da APRAM consciente de que a cidadania madeirense pode intervir nos portos? Foi escolhida por ter um programa? Uma entrevista com compromissos é urgente, de preferência em directo.


Samba Enredo da iluminação de Natal: percamos o instinto de ilhéu que compara consigo no ano anterior, comparemos com outros destinos concorrentes. Temos de criar ornamentação e não colocar iluminação, usar tecnologia e não colocar tecnologias. Deixamos de produzir os nossos desenhos para importar “pré-fabricados” por catálogo. O Funchal deve ser segmentado por áreas e entregues a artistas que produzirão ornamentos originais. Devemos restituir o nosso legado de Natal às iluminações e materializar a nossa singularidade perante destinos concorrentes. Devemos acabar com os investimentos em iluminação para colocar no chão, sem impacto visual e que não se projectam nas fotografias, devemos optar pelos postes temáticos que decoram, criam luminosidade e ambiência de forma mais eficaz. A zona hoteleira deve ter a mesma atenção que a baixa. Deve-se guardar o que melhor resultou para uma área vintage nos anos seguintes, conceber um bom mercado de Natal que inaugurará integralmente as iluminações de Natal a meados de Novembro para captar turismo nessa época baixa. Centralidades como a Avenida Arriaga não devem substituir ornamentação por motos de vendas, devem coexistir. Os operadores de imagem devem ter opinião na concepção pois garantem a imagem que vamos vender. A iluminação em gambiarra com lâmpadas LED pelas ruas do anfiteatro ganhou nova vida, só temos que cobrir áreas negras para equilibrar o conjunto. Estamos a viver da fama, num enclave de notoriedade a executar erros. Quanto ao anunciado Festival da Luz, não será uma novidade para os turistas europeus, esperemos que não seja mais uma cópia.


Samba Enredo do fogo da passagem de ano: a frente de postos de fogo deve regressar à Avenida do Mar criando uma densidade que agracia a afluência à baixa e garante aos navios de cruzeiro uma melhor vivência do espectáculo. Contraria a redução da visibilidade provocada pelo fumo e melhora a integração da componente das explosões. A perspectiva dos navios é essencialmente cénica, o ruído dissipa-se conforme o afastamento da baía e este é um componente da pirotecnia no final institucionalizado. A frente de fogo dá consistência à recolha de imagens, as capturas integrais são difíceis, essa dádiva é para desfrutar presencialmente. Nunca estará pendente do estado do mar. Se os minutos diminuem para manter o ritmo de fogo, não podemos ao 4º minuto perder a cadência do apoteótico.




Diário de Notícias do Funchal
Data: 25-02-2017
Página: 27
Link: Eduardo mãos de tesoura

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sábado, 29 de outubro de 2016

ZZzzZZzz ron-ron

zZzêm surgido na região dúvidas sobre a aposta nos cruzeiros pela hipotética baixa nas despesas dos passageiros, com a ideia fixa de que a contenção de despesas não deve atingir esta indústria quando se assiste à sua democratização.

Vamos ponderar com números e factos. Se um investimento alheio disponibiliza o cruzeirista no Porto do Funchal a custo zero, quando existe uma nula promoção da região neste sector turístico, então estaremos a falar de um negócio da China. Que tipo de China queremos? Com despesa cá ou com a deslocalização de navios para a Ásia onde o mercado de cruzeiros sextuplicou em 10 anos? Quando a descida das escalas no Funchal é um facto, a demanda por cruzeiros cresceu 68% nos últimos 10 anos. As duas zonas geográficas mais populares são as Caraíbas com 33,7% do total mundial e o Mediterrâneo, que beneficia a nossa localização, com 18,7%. Entre 2008 e 2014, os cruzeiros ultrapassaram em 22% as viagens tradicionais nos Estados Unidos, que estão sempre um pouco à frente nas tendências. A Europa, principal fabricante de navios, tem um crescimento a caminho de anémico, no que diz respeito a turismo nesta área, devido à sua zona mais forte (Mediterrâneo) estar a somar um grande número de portos instáveis. Daí a deslocalização de navios para outras zonas em consideração ao cliente americano que preenche boa parte dos navios na Europa.


O que se sabe sobre o perfil consumista dos cruzeiristas nas escalas no Funchal? Tendo por fontes as companhias de cruzeiro e a CLIA, cada um gasta em média 50€ nas escalas no nosso porto quando a média mundial é de 124€. Há muito trabalho por fazer aqui, a Madeira dorme. 97% dessa despesa é em terra, denunciando que a larga maioria desembarca. Desse montante, 70% é aplicado em bebidas e refeições, o restante em tours organizados ou apeados. Cada navio médio deixa por escala uma média de 85.000€ na economia local. Neste valor não constam as taxas da APRAM (42 milhões/ano) nem estão contabilizados os serviços dos agentes de navegação. As companhias omitem o volume de negócios com os seus tours, dos quais cedem uma comissão ao prestador de serviço local. Quanto mais exclusivo for o navio (mais pequeno) mais despesa tende a realizar o passageiro mas, os navios maiores geram valores globalmente superiores. Todo mercado interessa.

O cruzeirista que visita a Madeira é maioritariamente alemão ou inglês, com idade média de 55 anos, metade deles com curso superior, só depois surgem os aposentados. 80% destes, auferem no agregado familiar mais de 3200€ mensais, 50% mais do que 6000€, o que indicia que o cruzeirista não é um "teso” mas gere racionalmente o seu dinheiro, cabe ao destino ser apelativo ao consumo. Necessitamos de mais informação através de um relacionamento estreito com os departamentos de “Shore Excursions” e disponibilizar mais informações nos navios. A Madeira dorme. 87% dos cruzeiristas que vêm à Madeira estão fidelizados a este tipo de turismo dos quais, cerca de 69%, indicam visitar a Madeira pela primeira vez. Num estudo efectuado pela CLIA, os cruzeiristas estabelecem como razões da sua opção por cruzeiros o desejo de explorar vários destinos por instintos de aventura, a necessidade de descanso ou de quebra nas rotinas e, ainda, a adesão ao conceito de acessibilidade em conforto (um hotel itinerante). Transversalmente aos impulsos que levam à opção pelos cruzeiros, os seus passageiros procuram desfrutar de natureza e paisagem que lhes proporcionem um relaxamento. Ainda no perfil do cruzeirista, sabe-se que viajam maioritariamente casais e que 62% revisitaram um destino de que gostaram num cruzeiro de forma tradicional, hotel e voo para o destino. A Madeira dorme. Atenção ao betão! Nada é por acaso. Os reposicionamentos, neste momento, estão a privilegiar a natureza, é um sinal. Os cruzeiros são, em viagem, um prospecto para outras viagens tradicionais.

A publicidade gratuita gerada pelos cruzeiristas, narrando experiências ou influenciando directamente escolhas, abrange um universo de 7 milhões/ano. A fidelização e a actividade comercial das companhias, sobre a nossa área geográfica de conveniência, incidem a promoção sobre 210 milhões de potenciais clientes por temporada.


Umas últimas palavras para os tripulantes. Saiba que a idade média dos que aqui desembarcam, embarcam ou gozam folga é de 35 anos, são asiáticos (sobretudo Filipinas, Índia e Indonésia), têm curso superior (82%) e a vida a bordo garante-lhes um rendimento que não teriam nos países de origem na sua profissão. A despesa média destes sobe para 65€ na escala no Funchal porque temos boa fama para compras. 71% do valor destina-se a bebidas e comidas, o restante em shopping (supermercado/ gadgets). Note-se que muitas vezes os tripulantes realizam favores que provocam despesas por outros em serviço ou familiares. Estas tripulações deixam, em média, 36.000€ por escala. Notável! A Madeira dorme, tudo despenca ao acaso.

A esmagadora maioria dos cruzeiristas e tripulantes ficam agradados com o nosso destino, o que confirma que a descida das escalas dos navios de cruzeiro no Funchal prende-se com a política comercial (rentabilidade das companhias) e segurança da zona (influência do Mediterrâneo), não com o nosso destino mas, atenção que há queixas do nosso porto. Não fazer promoção séria, individualmente e em conjunto com os portos dos itinerários da nossa zona, será mortal. Precisamos de colocar a APRAM em concorrência com a APM e que no próximo mandato seja contemplada a competência com alergia a esquemas, caso contrário, é nesse mandato que vamos confirmar os erros do passado a rebentar, talvez, em pessoas que não têm culpa. A APRAM só pode dar lucro, haver periodicamente injecções é uma ofensa ao erário público.

Que receita provoca um hotel cravado no porto ou um all-inclusive na praça? Os navios fazem parte da nossa paisagem mas, a Madeira ZZzzZZzz ron-ron.


Diário de Notícias do Funchal
Data: 29-10-2016

Página: 28
Link: ZZzzZZzz ron-ron

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segunda-feira, 6 de junho de 2016

2019 Odisseia pró Cagaço

om o crescimento dos navios de cruzeiro, devemos entender que há uma clara pretensão de colocar propulsão em resorts para navegar por mais facturação mantendo os passageiros entretidos a bordo. Por esta razão a publicidade dos navios de média/menor dimensão enaltece o tempo nos destinos. Se os navios estão em trânsito para uma nova temporada, a prioridade é chegar ao “hub” para naturais adaptações à área geográfica, algumas vezes com doca seca. O Funchal pode perder a sua importância geográfica, basta que a indústria dos cruzeiros altere a abordagem ao negócio, o que vem sucedendo. Por outro lado, a última oportunidade para embarque ou desembarque de tripulações e seus familiares, em direcção às Américas, vem ocorrendo em destinos garantidos na operacionalidade dos aeroportos próximos.
Nesta indústria a experiência conta muito até porque está em adaptação permanente às realidades portuárias e aos nichos de mercado. Deslocar a promoção do Porto do Funchal para uma matriz comum do turismo provoca o afastamento dessa experiência para delinear uma estratégia. Porquê contrariar a lógica? Não confundir a qualidade dos quadros com a orgânica.
Após a representação da Madeira no Cruise Shipping Miami, o secretário da tutela estava irritantemente optimista com os resultados alcançados, só não disse quais, seria arriscado quando nem rumo se conhece, a casa está por arrumar. A APRAM por definir em penoso desperdício de tempo; o bolorento assunto dos portos por estudar atirado para 2019 (quando não havia dúvidas na campanha); os casos de promoção sectária por corrigir; os fundamentalistas a destruir o nome do porto; lobbies a desrespeitar certificações; navios de cruzeiro a passar pelo norte da ilha, sem escala no Funchal, a fundamentar a quebra de 6,5% no porto nos primeiros meses do ano. Só com cruzeiros, estão a perigar receitas acima dos 40 milhões/ano em escalas de navios, seus passageiros e tripulações.
5 Maio 2016: Brilliance of the Seas navegando a norte da Madeira sem escala no Funchal.
Entretanto, o acessório no Porto do Funchal é rei, o desconexo em colisão com o prioritário. Por exemplo, dotá-lo com um processamento de bagagens para garantir a segurança e expurgar os ilícitos do ferry é mentira, quando até existe uma unidade móvel com scanner por rentabilizar e a empresa do ferry recebe o título de excelência Trip Advisor. Estamos na “melhor” ilha do mundo promovida por Ronaldo, com turismo secular nalgumas nacionalidades perseguidas, a notoriedade não nos falta e tem reverso da medalha, desperta maus apetites. Vamos ter fé de novo na localização geográfica?
Alguns apontamentos:
-  O molhe principal do Porto Santo tem 285 metros, composto pelo cais 1 com 90mt (fundos de -6,5mt) e o cais 2 com 195mt (fundos de -7mt). Passando por cima dos erros métricos da APRAM, o regulamento diz, na prática, que só podem atracar navios até 150mt, cativa-se para todo o sempre uma parte para o ferry de 112mt, mesmo às Terças-feiras de descanso e às Sextas-feiras com partidas ao fim da tarde no Funchal. O Porto Santo pode se dar ao luxo de não promover esses dias nas épocas altas dos cruzeiros? Dá para perceber o insucesso mesmo oferecendo o Porto Santo com a escala no Funchal? Ainda assim, arranjam confusões nas raras escalas confirmadas, como a do Voyager no dia 1 do corrente mês à espera de cais.

- No Terminal Sul do Porto do Funchal, algo similar sucede com o designado Cais 1 de 160mt, que se situa na zona da rampa ro-ro e do molhe. Não tem certificação ISPS (International Ship and Port Facility Security Code) o que impossibilita a atracagem de navios de cruzeiro em dias de maior afluência ou de conveniência pelo estado do tempo. Com o novo Cais 8 inoperacional e com a tendência de condicionamento do Cais norte, na ausência diurna do ferry, essa secção de cais não pode ser usada para os navios de cruzeiro?
- Com a recente pretensão do novo hotel no Cais Norte em instalar uma cisterna de gás, estivemos na iminência de perder um cais acostável requalificado com a anulação da sua certificação. Pasme-se, existe a vontade de limitar o seu uso para não incomodar, demonstrando que a proliferação de actividades descontextualizadas no porto é uma Caixa de Pandora. O governo promove ou não sustém a voracidade dos lobbies, ambos não percebem que estão a precipitar o porto para a transgressão das regras internacionais. Estamos a satisfazer apetites que trocam os milhões da indústria dos cruzeiros pela satisfação de meia dúzia que não gosta de pagar. Construir cais à louca ou requalificar para prevaricar nas certificações resulta exactamente no mesmo. O paquete Funchal como hotel era autónomo e não dava confusões, fica a lição. Assistimos aos mesmos registos de sempre em vez de abrir uma nova era. Curiosamente, digo-o no Dia “D”.


Diário de Notícias do Funchal
Data: 06-06-2016

Página: 9
Link: 2019 Odisseia pró Cagaço

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Temulência na APRAM

stamos no período do ano com menos escalas de cruzeiros no Funchal. Não pertencemos a qualquer temporada, nem de Verão nem de Inverno, em circuitos permanentes ou alternados, salvo excepções. A redução de 75% da TUP para os cruzeiros, de 1 de Junho a 31 de Agosto, não surte efeito pois a maior rentabilidade dos itinerários alternativos não está provada. Não motivamos a montante com quem desenha os itinerários. Satisfaz-nos os números das épocas de transição de temporada, uma procissão para outros destinos com menos passageiros. Este mês de Julho, com 4 navios em 31 dias, é celebrado como o melhor de sempre, talvez para esquecer o Cuba 9 – Madeira 0, com a perca das escalas do MSC Opera.

A beleza da Madeira e as suas atracções não são consideradas para frequentar o destino, caso contrário haveria, por exemplo, uma maior afluência na Festa da Flor, época alta de cruzeiros. Os navios partem sem que os passageiros assistam ao cortejo.

Valemos pela localização geográfica nas travessias Atlânticas ou como adição a um itinerário dirigido às Canárias. Excepção feita à Passagem de Ano.

O Funchal, com oscilações residuais, que derivam da crescente dimensão dos navios, está estagnado. O crescimento da indústria de cruzeiros reflecte-se directamente nos concorrentes. Temos cruzeiros que vão às Canárias (Las Palmas cresceu 12%) sem escalas no Funchal e travessias Atlânticas que preferem Ponta Delgada (cresceu 70,7%).

A notoriedade histórica da Madeira provém da emigração, do vinho ou das viagens anuais de lazer. Produziram factos e atraíram gente famosa. Não temos um calendário de efemérides que mantenha o Porto do Funchal em difusão gratuita. É necessário trazer o saudosismo, promover a curiosidade e estabelecer a preferência.

Na era do excesso de informação, primamos pela ausência na área dos portos, não se vislumbra uma publicação em órgãos da especialidade, nem se explora a internet. A presença em eventos é imperceptível, na feira de Miami, coloca-se um expositor estático, sem contactos pessoais ou informação útil. Estamos entregues aos spotters nas redes sociais, pela qualidade fotográfica. Ainda assim, são tratados com estupidez porque “alguém” acha que perturbam a segurança. Seguro é o ritmo do bocejo, do café prolongado ou das ameaças, com vias de facto, àqueles que ousam se indignar.

A APRAM nunca fez uma aposta séria nos cruzeiros de expedição, pensando sobretudo nas Selvagens e nas Desertas mas, contemplando o restante arquipélago. É um nicho de mercado para navios pequenos, preparados para todo tipo de desembarques e com boa clientela que procura a observação da vida selvagem em locais recônditos.

Não se atende à necessidade de definir um cais de operação, sem limitações, para o ferry ou ferrys. A área destinada à movimentação de veículos e passageiros é exígua e conflituosa, como provamos todos os dias e nos lembramos dos diferendos no passado com dois operadores.


A interpretação e aplicação do “International Ship and Port Facility Security Code” é excessiva, obsessiva e fomenta a falta de competitividade do nosso porto. Basta ser cruzeirista e comparar com outros destinos. Esta obsessão de segurança roça a paródia quando se permite que qualquer pessoa mal intencionada vá aos trolleys da PSL colocar uma “encomenda” e ir, calmamente, ver a partida desde um miradouro.

Existe uma reserva “natural” de gaivotas no porto porque destruíram o movimento permanente com a inexistência de actividades, visitas ou comércio.

Na gare, os passageiros não circulam pelas mangas devido a problemas técnicos desde a montagem, anulando também o movimento no passadiço que tapa toda a vista sobre a cidade. Os passageiros descem directos dos navios para o cais. O investimento findo, em infra-estruturas, rotunda numa regressão.

O nosso porto não dá conforto aos passageiros. Sem comércio conexo, falta o “wireless” livre e as comunicações para as tripulações. Mapas existem, se forem distribuídos. Alguém na APRAM faz cruzeiros?

O asseio no porto deve ser permanente, se surgir norovírus, devido ao guano que vai no calçado para bordo dos navios, haverá averiguações. Se for numa das 9 companhias do Grupo Carnival multiplicará o efeito. Os madeirenses também merecem o asseio.

O senhor secretário da tutela foi uma esperança que se perdeu. Não detectou a urgência em colocar a APRAM a funcionar. Adiou por 2 anos com o mesmo marasmo, somando mais 3 para produzir efeito com uma nova estratégia. Este mandato finou-se, perdemos 5 anos. Tempo é dinheiro, entre os dois, o senhor secretário preferiu poupar no segundo para pagar na mesma com o primeiro. A concorrência progride connosco na salmoura dos interesses instalados e dos afastamentos maldizentes.

É urgente fazer apostas, estamos a ficar para trás.

Diário de Notícias do Funchal
Data: 22-07-2015
Página: 10
Link: Temulência na APRAM

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